segunda-feira, janeiro 31, 2005

Elogio da Palavra

O fragmento de Isócrates que se segue é porventura um dos mais importantes documentos produzidos na antiguidade clássica relativamente à compreensão da linguagem enquanto elemento constitutivo da condição humana.

[Vale a pena lê-lo com cuidado!]

É preciso, portanto, seguir acerca da palavra a mesma opinião que sobre as outras ocupações, não ajuizando diferentemente de coisas semelhantes, e não mostrar hostilidade contra a faculdade, que entre as outras próprias do homem, lhe alcançou os maiores bens. Na verdade (…) nenhuma das nossas outras características nos distingue dos animais. Somos mesmo inferiores aos animais quanto à rapidez, à força e a outras facilidades de acção. Mas, porque fomos dotados com o poder de nos convencermos mutuamente e de mostrar com clareza a nós próprios o objecto das nossas decisões, não só nos libertámos da vida selvagem, mas reunimo-nos para construir cidades, fixámos leis, inventámos as artes. Foi a palavra que fixou os limites legais entre a justiça e a injustiça, entre o bem e o mal; se tal distinção não houvesse sido feita, seríamos incapazes de coabitar. É com a palavra que confundimos as pessoas desonestas e elogiamos as pessoas de bem. É graças à palavra que formamos os espíritos incultos e pomos à prova as inteligências; na verdade, consideramos a palavra exacta a testemunha mais segura do raciocínio justo. Uma palavra verdadeira, conforme com a lei e com a justiça, é a imagem de uma alma sã e leal. É com a ajuda da palavra que discutimos os assuntos contestados e prosseguimos a nossa investigação nos domínios desconhecidos. Os argumentos com os quais convencemos os outros, ao falar, são os mesmos que utilizamos quando reflectimos. Chamamos oradores àqueles que são capazes de falar às multidões e consideramos gente de bom conselho aquela que pode, sobre os negócios, discutir consigo própria da forma mais judiciosa. Em resumo, para caracterizar o poder da palavra, observemos que coisa alguma feita com inteligência pode existir sem o seu concurso: a palavra é guia de todas as acções, assim como de todos os nossos pensamentos. Quanto mais inteligente se é, tanto mais nos servimos da palavra.

domingo, janeiro 30, 2005

Livros


O Quarto

Ele ia fechar a porta, mas antes lançou um derradeiro olhar pelo seu quarto.
Ele estava em cada centímetro de parede branca, em cada livro em cada fotografia.
Todo ele era aquele quarto.
A sua vida estava entranhada naquelas paredes como nele próprio.
Era estranho sair assim.
Ali chorou, riu, sonhou; sempre sozinho.
Contudo naquele espaço, a solidão não entrava nele.
Não estava sozinho estava no seu mundo, onde ele fazia companhia a si próprio.
Sozinho no quarto, muitas tardes, muitas noites.
Transformava livro e música em magia; e sozinho, sempre sozinho, crescia.
Era estranho largar tudo aquilo, mas a vida – descobriu mais tarde – esta lá fora.
Lá fora não há conforto, lá fora não há a agradável solidão do quarto, lá fora não há tudo aquilo…
Mas é lá fora que se vive e aprende a viver.
Fechou a porta.
Esperou o habitual chiar dos gonzos e riu.
Sempre que sentir necessidade de se encontrar consigo próprio ele vai voltar ao quarto.
Mas a vida é lá fora…

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Abandono da alma

Chamas, labaredas que acedem minh’alma,
Propagam-se ao infinito,
Queimam da planta à palma.
De cúbica solidão e sofrimento,
Guardada em silencio e dor,
Que a alma vai e vaporando
Gritando a palavra: amor.
Da carne, separa-se a essência, dos ossos
Que dá a vida;
Num descampado caminho,
[um tanto perdida]
Segue sem olhar para trás,
[na caminhada merecida]
Deixando o corpo em paz.
Com a tocha que a alma segura, acesa,
Com o fogo que Prometeu roubou.
Sente a picada da águia
Na carne que a segurou.
O Corpo.
Largo-o inanimado,
Frio-mármore, empalecido.
Aguarda, agora, o julgamento
Que lhe têm prometido…

AJP

Math Art

O fractal é uma óptima maneira de ver o infinito.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Geopoliticus Child Watching Birth Of New Man

Por Salvador Dali

quarta-feira, janeiro 26, 2005

All The World's Ruled By A Dragon

All the world's ruled by the Dragon -
Fiery, mad, wicked, perverse.
Let me praise him with a humble,
Daring and ironic curse:

You, destruction-bringer, ordered
The damp swamps to show your power;
You brought forth the trees and grasses
Growing into leaves and flowers.

All things flying, all things crawling
You made - though their time is brief.
Those aware and those ambitious
You doomed to the harshest life.

You moved and clouds started floating . . .
You chased winds along the land,
So your kisses, deadly scorching,
Would not sear before you planned.

And your orders can't be cancelled;
You have no mercy to bring.
You rule and don't hear our begging.
You don't love. You kill each thing.


terça-feira, janeiro 25, 2005

In memoriam Miklos Féher

Deixou-nos há um ano mas "A camisola 29 nunca mais ninguém a vai vestir"

( http://tsf.sapo.pt/audio/2004/01/noticias/27/FEHER.asx )

Não tinha que ser assim
Não podia ser assim
Ninguém queria que fosse assim
Mas foi assim...
Há um ano

Um abraço Féher


segunda-feira, janeiro 24, 2005

Toxina

A noite baixa em mim
Uma angustia infernal;
A nobre ponta carmim
Não me parece fatal.
Ao penetrar
Ela escorre,
Entra por mim a dentro,
Tudo passa,
Tudo muda
Em segundos… derrepente.
Relaxa corpo cansado!
Picado até ao tutano!
Esta vida vai findando
(Vejo as chamas do Inferno).
Nas veias continua o seu trabalho
Forte,
Libertador.
Agora fecho os olhos,
Agora não sinto dor.

AJP

domingo, janeiro 23, 2005

Sim! Somos mais inteligentes!

Estranho animal é o homem. E julga-se diferente de todos os outros, porque é mais inteligente. Eles correm mais rápido, saltam mais alto, nadam mais rápido, muitos têm mais força num só membro que vários humanos juntos.
Sim! Somos mais inteligentes! Temos complicados sistemas de comunicação, imaginamos, inventamos e criamos linguagens, artefactos, estabelecemos relações entre nós de elevada complexidade.
Sim! Somos mais inteligente! E por isso achamo-nos no direito de sermos donos das vidas dos animais que não tem o nosso córtex cerebral; quer por necessidade vaidade, divertimento ou apenas por vontade!
Sim! Somos mais inteligentes! E usamos essa inteligência para criar, para termos um sítio mais seguro e confortável, onde as nossas necessidades sejam satisfeitas instantaneamente. E é também instantaneamente que nos Matamos uns aos outros com os artefactos que construímos. Por uma ocupação de território, por recursos que queremos só para nós, sejam eles fundamentais ou caprichos da sociedade que montámos.
Eles não fazem isso. Mas nos somos mais inteligente!

sábado, janeiro 22, 2005

Cannabis sativa

Fumo roxo,
Multicolor;
Quente,
Transformador;
Alegre forma ondulante,
Desfaz-se á minha frente

Estou a voar!
A flutuar!

Mais um bafo,
Tudo fica melhor,
Só mais um,
Muito melhor;
Ainda um,
Só para apagar a dor.

Queima.
Apaga.
Sente.

E bate...
Leve, levemente...

AJP

Ela

Ela acordava todos os dias com a vida a pulsar-lhe nas veias; vivia com a vontade de quem se delicia com seu fruto favorito. Fruto da flor da Idade. Era jovem. Que jovem era! Os primeiros raios de Sol faziam-lhe brilhar os loiros cabelos ondulados, e envolviam-na numa aura dourada, quase divina.
Qual divindade da qual a imortalidade não é um dom. Sorria e fazia sorrir todos a sua volta. Bom dia! Dizia ela todas as manhãs ao carteiro, que com um sorriso largo lhe entregava o jornal do dia.
Era Linda. E a relva crescia a sua passagem.
A mesma relva que sobre ela começou a crescer quando a sua aura deixou de brilhar e o dia deixou de nascer. Para sempre.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Alegoria da Vida

[Obrigado a todos aqueles que sabem viver!]

Sou viciado em ti Vida
E é assim todos os dias
365 Melodias.
Protecção no meu circulo
Não é qualquer amigo que me seca as lágrimas de agonia.
O Inverno é mais frio quando afastado,
Dou voltas á consciência como um cubo mágico.
E penso em ti e no que guardo em mim,
Colecções de recordações e canções.

Sou senhor do meu passo que partilho num abraço
Mantenho-me acordado neste mundo petrificado
Competição entre anjos e demónios
Em corpos de pecado,
São esses que me deitam a baixo!

Mas eu levanto-me!

Com o peso da moral as costas,
Quando prefiro engolir a me ferir com respostas.
As vezes és puta vida mas não tens culpa.
Tu e eu já fizemos bodas de prata.

Em tempos quando era chavalo não sei se te recordas de mim,
Aquele puto fechado no quarto;
Transformava cassetes e livros em magia
Musica e Amor, medicina alternativa.

Sou viciado em ti
E tu em mim
Vida, Fronteiras, Obstáculos, Barreiras…
Caminhamos juntos como no último dia
Este é o poema que dedico á vida.

Não sou autista,
Sou flautista
Irei soprar poemas e microfone até ao fim da Vida,
Focado naqueles que me amam
Sem pedir trocado;
É nesses corações que quero ser lembrado.

Tenho Nojo de filhos da puta sem escrúpulos,
Sem esforço de respeito pelos outros.
Sem alma para beneficio próprio,
Intermediários entre o Céu e o Inferno;
Que nojo!

Sempre fomos eu e tu vida
Sozinhos
Cabeças ao vento com sonhos repartidos.

A capacidade de amar é inata;
A capacidade de aprender é infinita;
Essa é a maior maravilha que me dás, Vida
Adoro adormecer no calor da tua companhia;
Não há limites estabelecidos
E aprendi isso
No profundo, bem no fundo do meu espírito.

Vitalidade, Força, Código, Honra,
Na amizade a verdade é a sombra.
Pacificar, aproveitar ao máximo
Para não ser comido pelas Chagas do percurso

No Ódio e no Amor
Como uma alma combalida
Este é o poema que dedico á Vida!

[Obrigado a todos aqueles que sabem viver!]

FUSE

Rasgados

Há muito que não escrevia
Linhas como agora,
Tudo o resto,
E mesmo estas
São boas para deitar fora!

O caixote esta cheio!
De papeis escrevinhados,
De versos sem rima,
Que por mim não foram amados.

Rasgados, borratados, riscados,
Produtos inacabados
De pensamentos não terminados.
Escrever é difícil,
Já não consigo transpor,
Perturbados pensamentos
De algum neurónios amador.

Desisto
Neste momento;
E que parem de cantar
Trovadores compulsivos
Que não param de rimar

E é esta rima
A última,
De várias destruídas:
Deixem a poesia
Para quem sabe o que diria.

AJP

Um português em Orbita

(numa banca de jornais)
Basta ler as letras gordas dos jornais parem se perceber que tudo parece ir progressivamente de mal a pior.
O Capitão Salgueiro Maia Um dia disse: «há três tipos de estado: o estado socialista, o estado capitalista… e o estado a que as coisas chegaram!»
É verdade que as coisas não vão bem, é verdade que tudo aquilo que é escrito e gravado
para ser difundido ao grande publico pelos medi, é (e quero acreditar nisso) amplificado. As pessoas têm o direito de estarem informadas sobre o estado das coisas e sobre o que o Estado vai fazer á cerca do estado das coisas.
Mas porque “teimam em perturbar desnecessariamente mentes já tão perturbadas”… Será o síndrome de ser português?

«E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não»

Trovas ao vento que passa - Manuel Alegre

Monólogo

Ás vezes ligo a televisão. Na verdade não por que queira ver alguma coisa em particular de algum canal especial. Só quero ficar em frente do ecrãs colorido a ouvir sons e a ver as luzes do retângulozinho. Outras vezes quero ver. Não o ver de olhar. Quero ver e ouvir na verdade o que se passa.
E é estranho. Acontecem tantas coisas na televisão que por vezes baralha-se-me o espírito. Acontece tudo tão depressa.
Em 60 segundos: Vemos uma guerra num país que parece longínquo.
Em 50: Uma mentira tão grande que afecta toda a gente e na qual toda a gente acredita.
Em 40: Alguém a rir… (as vezes para não chorar)
Em 30: Um presidente a falar (ou será a mentir)
Em 20: Mais lágrimas, sangue… sangue.
Em 10: Alguém grita!!!!
(Ou serei eu!)
Já chega, será mesmo o mundo real, ou é nos dados em versão concentrada de desgraça, medo, dor...!
O mundo não é só isto.
Pois não?

quinta-feira, janeiro 13, 2005

uh Keh eh ixtuh???

Nos últimos anos e acompanhando a evolução das novas técnicas de comunicação, nomeadamente dos Telemóveis e da Internet, a língua portuguesa tem seguido (pelas mãos de alguns!) um caminho um tanto obscuro.

É a habitual vermos as palavras serem encurtadas para o fim, legitimo, de encurtar o número de caracteres de uma mensagem, respondendo assim a necessidade de escrever mais e mais depressa.

Contudo essa desculpa já não pega (para mim!), neste momento as palavras estão a ser destorcidas pelo simples prazer de as escrever assim.

Concretamente, o que vemos hoje em dia no nosso ecrã de computador ou telemóvel é, por exemplo, vez de ter mos a frase: Hoje o dia está lindo, não está?
Temos qualquer coisa como: Hj uh diahh extah linduh, naumh extah?????

E a pergunta que fica é: uh Keh eh ixtuh???

Português não é!

segunda-feira, janeiro 10, 2005

No Psicólogo... (III)

(Andando na Rua da Sofia, em Coimbra)
Kripton: É bem melhor o ar livre, a rua, á atmosfera viciada do seu consultório, Dr.
Psicólogo: Sim, era bem mais agradável passar aqui os dias. Já retomou os estudos?
Kripton: Sim. A muito custo. A condição de aluno não é muito agradável para mim.
Psicólogo: Porque diz isso?
Kripton: Conhece aquela música dos Pink Floyd: Another Brick in the Wall parte dois?
Psicólogo: Sim claro, cantei-a vezes sem conta…
Kripton: “We don’t need no thought control”
Psicologo: É assim que vê os professores, como controladores dos seus pensamentos.
Kripton: Sim. Não gosto que interfiram nos meus pensamentos. E eles estão sempre a faze-lo. ELES! Estão sempre a falar, a dizer coisas sobre números, compostos químicos e proteínas. ELES! Eles são os culpados, querem moldar as nossas mentes.
Psicólogos: Acalme-se, aqui está tudo bem.
Professor: Bom dia kripton, por aqui hoje?
kripton:(correndo) AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!!!

Angles and Demons

Um destes dias entrei numa livraria, e comprei este livro.
Angles and Demons de Dan Browm, o controverso autor do Best-seller: O Código da Vinci.
Angeles and Demons é o livro anterior ao Código da Vinci (2004), foi editado em 2000. E é nas suas páginas que o professor simbologia de Harvard, Robert Langdom, vive a sua primeira aventura (antes de decifrar o código!) na qual tenta impedir uma antiga sociedade secreta destrua a cidade do Vaticano.
Como se pode ver mais uma vez a religião está patente no livro que também causou alguma celeuma em alguns dos seus leitores.
Fica a sugestão! Por agora não existe nenhuma tradução em português de Portugal, mas parece que a Bertrand Editora já está a tratar disso.

O Regresso do Andromeda

Após um longo jejum em que predominou o negro fundo desta página o Andromeda vai entrar de novo em actividade (assim o espero!).

Foram quase três meses sem sequer uma palavra.

Mas agora é que é!

Ladies and Gentleman start your engines!

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