domingo, janeiro 30, 2005

O Quarto

Ele ia fechar a porta, mas antes lançou um derradeiro olhar pelo seu quarto.
Ele estava em cada centímetro de parede branca, em cada livro em cada fotografia.
Todo ele era aquele quarto.
A sua vida estava entranhada naquelas paredes como nele próprio.
Era estranho sair assim.
Ali chorou, riu, sonhou; sempre sozinho.
Contudo naquele espaço, a solidão não entrava nele.
Não estava sozinho estava no seu mundo, onde ele fazia companhia a si próprio.
Sozinho no quarto, muitas tardes, muitas noites.
Transformava livro e música em magia; e sozinho, sempre sozinho, crescia.
Era estranho largar tudo aquilo, mas a vida – descobriu mais tarde – esta lá fora.
Lá fora não há conforto, lá fora não há a agradável solidão do quarto, lá fora não há tudo aquilo…
Mas é lá fora que se vive e aprende a viver.
Fechou a porta.
Esperou o habitual chiar dos gonzos e riu.
Sempre que sentir necessidade de se encontrar consigo próprio ele vai voltar ao quarto.
Mas a vida é lá fora…

2 Comments:

Blogger lisa said...

O quarto pode também representar nossa consciência, nosso modo de viver.
Muito lindo o que vc escreve!
Beijos Lisa.

30 de janeiro de 2005 às 15:28  
Blogger Amanda said...

Kripton o quarto pode ser também o colo da mãe, o abraço do pai, a sabedoria do avô.. eu entendo mais o sair do quarto como o "abandono do ninho"... e como doi abandonarmos o nosso ninho mas já que não pode ser de outra maneira... voa!

31 de janeiro de 2005 às 15:52  

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